segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Enfim 65.

Sim, aprecio datas e números.

Um número emblemático?

Talvez.

Entre tantos significados está o desejo de ser melhor, viver melhor e contribuir para que a vida daqueles ao meu redor seja tanto melhor quanto for possível.

Meu mantra de todos os dias, do acordar ao dormir e mesmo em meus sonhos, é sempre desejar “felicidade e prosperidade”.

É um mantra e uma aposta em mim, de que vou conseguir realizar o meu propósito apesar da genética, aritmética, cronologia, dos céticos e fanáticos e dos percalços.

Eu chegarei lá.

Sigo adiante.

Surfo na minha onda e nela me deleito.

Adoro a minha vida e todas as oportunidades que tenho para melhorar.

Ao mesmo tempo, e sei que logo ele passa, busco me aproveitar desses momentos para curtir tudo e todos que amo.

E amo demais.

Amor, esse espaço infinito onde cabem todos os meus amores.

Enfim 65, segundo a numerologia a soma dá 11, um número indivisível que significa “um novo início”. Para mim, uma nova fase em que desejo seja ainda mais cheia de amor, amizade, propósito, paz, esperança, gratidão, saúde, felicidade e prosperidade.

Comemoro a vida e todas as oportunidades e desafios e pessoas que me inspiram a ser do jeito que sou.

O significado desses 65 anos?

Gratidão!

Amo vocês!

 

João Gambinï.

26/11/2022


sábado, 5 de setembro de 2015

Mira o horizonte e vá além

Toma tua fé como teu escudo e 
teu sorriso como tua arma perfeita
Energiza teu espírito, incendeia tua alma e
faz essa energia fluir pelo brilho do teu olhar .

Rufa os tambores de teu sangue no ritmo do teu coração. 
Aqueça-o
Mantenha sua mente descansada e 
cuide de seus pensamentos.
Respire fundo, alinhe sua coluna e 
apóie-se firmemente sobre o teu passado.
Caminhe pelas brasas de teus desgostos como quem conhece o presente e 
desafia o futuro.

Elabore os planos que te conduzirão rumo às estrelas e 
ao teu espaço mais profundo.
Observe os passos trôpegos daqueles que, 
inebriados, cegam-se.
Veja quem lhe oferece rosas e 
reconheça os espinhos.
Salte as cercas enroladas em arames farpados 
como se elas fossem arbustos floridos e vivos.

Transforme as pedras que ameaçam 
em desenhos que contam a história.
Suba ao ponto mais alto da colina e 
contemple o esplendor da tua vida.
Lá no alto, abre tua mão e aperte-a contra o peito. 
Mire o horizonte e vá além.
Atire-se aos teus desejos e sonhos 
com a coragem de quem sabe voar e onde aterrissar.

Ame-se como quem sabe 
o valor que tem.
Acredite, 
nada e ninguém haverá de vencer a força de teu amor.

sábado, 18 de abril de 2015

Gente assim!


Ao fim e ao cabo de uma existência é uma frase emblemática que tenta materializar no leitor a ideia de que há uma conclusão no caminho. Os autores de novelas matam uma personagem só para que sua lembrança fique viva durante todo o enredo e provoque ou justifique os acontecimentos entre os personagens restantes ou sobreviventes. Os autores, como deuses desse universo em particular, manipulam como querem os destinos das personagens para provocar os finais que eles imaginam de seus romances, dramas, aventuras. Só alterando o final contra sua própria vontade quando a audiência clama desesperadamente pela vida da personagem mais querida ou odiada do pedaço. Os autores mudam ao seu bel prazer o fim das histórias que contam.
Diferindo da forma como os enredos das novelas são conduzidos e da visão de algumas crenças, penso que a nossa existência se parece mais com roteiros inacabados em que cada personagem vão escrevendo seus próprios capítulos e rumos. Nunca estão prontos, acabados ou determinados por um ou vários deuses, ou mesmo pela herança genética ou espiritual. Esses roteiros são processos em construção constante a partir das ações, pensamentos, desejos, sensações, vontades, planos e ideias desses enquanto protagonistas da própria história.

escolhas2.jpgUm caldeirão de onde saem os resultados, desdobramentos, impactos e influências para todos os lados. Há ainda aqueles que defendem ser a nossa existência definida pelo tal "destino" – um conceito que aponta um dedo egocêntrico para nossas cabeças e diz que ao final e ao cabo seremos felizes, infelizes, ricos, pobres... Balela! Isso não me convence. Não aceito algo que nega minha capacidade de escolher, decidir ou não por algo que quero ou não. Meu! Eu decido!
Exceção, talvez, à morte e que para a qual não acredito que haja uma data pré-determinada, mas certamente ela chegará pra todos, vinda sob a forma que vier. Contudo, penso que ela é uma passagem, uma troca de estágio; em que transcendemos pra outro nível, momento ou dimensão de nossa existência num continuum infinito de aprendizado e colaboração. Para mim a morte não chega ao fim e ao cabo.
Aliás, esse assunto é um prato cheio nas artes e na cabeça de muitas pessoas convictas de que a existência termina com a morte. Penso que para além dessas manipulações (falsas) sobre o futuro ou determinantes do nosso destino pregadas por uns e outros, são as nossas ações (inclusive os pensamentos) que alteram os rumos e resultados em nossa vida.
Nossa existência é parte de um processo maior que reúne forças poderosas e desconhecidas que mexem com o nosso interior e exterior o tempo todo. Forças como a da “mudança constante”, que provoca a nossa evolução desde o começo dos tempos e nos acompanha do nascimento ao envelhecimento, numa espécie de metamorfose ambulante sem freio e rua abaixo. Não há um dia igual ao outro.
Tudo ao nosso redor se relaciona conosco e vice versa. É uma troca constante, boa e ruim, que nos influencia e nos impulsiona a fazer, criar, desejar, planejar e inventar formas, jeitos e maneiras de ampliar ainda mais o rol das mudanças, numa espiral crescente em que nunca passamos pelo mesmo lugar e do mesmo jeito. A certeza da mudança é tanta que muitos querem customizar suas mudanças, numa espécie de fast food de mudanças em que alguém pede um pacote de “mudanças fresquinhas e que se encaixem nas medidas preferidas”. Dada a nossa natureza, lutamos contra todas as forças para satisfazer nossos desejos de consumo e de controle, apenas pela vitória do ego. Uma loucura desvairada pela mudança que interessa unicamente a si. E há tanta gente assim que nos parece estarmos vivendo todos do mesmo jeito. Só parece.
O fato é que há muitas pessoas iludidas por si mesmas, porque de antemão sabem que lutam batalhas perdidas. Sabem que não há como controlar as mudanças que ocorrem durante a vida e tampouco alterar a própria existência, salvo, talvez, se resolverem atirar uns nos outros ou nelas próprias. Bem lá no fundinho de suas consciências essas pessoas sabem de tudo isso, mas desconsideram os avisos e as luzes amarelas que a natureza apresenta; eles insistem teimosamente porque o ego lhes escapa pela boca e a intransigência os consome.  
escolhas.jpg
De todo modo são escolhas e fazemos isso durante toda a vida, e a todo instante. Escolhemos ao acordar se faremos aquilo ou não; se devemos dizer ou nos calar; se seguir é melhor do que ficar, enfim, escolhemos sempre. Às vezes escolhemos não escolher. Há quem prefira não escolher, omitir-se, renunciar sua escolha e deixar que outros a façam por ele. 

Isso acontece muito, principalmente em nosso país, onde outorgamos o poder de conduzir a nação a representantes, uma decisão muito importante se nos responsabilizássemos também pelos resultados do trabalho desses representantes. Mas largamos mão desse controle e eles deitam em rolam com o poder que lhes demos. Isso também acontece em muitos relacionamentos, quando um deixa suas escolhas nas mãos do outro. Muitos passam a vida sem opinião. Eu não, não consigo aceitar isso. Minhas escolhas são somente minhas.
Há ainda situações em que alguns são escolhidos, talvez pelas suas competências, habilidades e atitudes, e outros pela cor dos olhos. Seja como for, mesmo em uma quanto na outra situação, aceitar a escolha é uma escolha pessoal. Nas situações em que não se é escolhido há aqueles que ficam frustrados, tristes, cabisbaixos e outros que ficam felizes, aliviados, principalmente porque não queriam de fato ou não tinham qualquer expectativa, boa ou ruim. O que conta em muitos casos é a intuição de um lado e a expectativa do outro. De novo, lá no fundo de nossas consciências e desejos vivemos a esperança de uma escolha que nos leve à uma vida melhor. Quem não quer isso?
super-heroi-GG.jpgHá muita gente querendo isso e lutando bravamente - e conheço muita gente assim - para conquistar posições e condições melhores na vida. Pessoas que chegam diante dos desafios com a intenção de demonstrar competência, entusiasmo, compromisso e outros predicados que estão profundamente radicados em nossa cultura. Lutam para ser, ter, estar… Muito mais para ter, na maioria das vezes. De certo são lutas sérias, mas com resultados de longo prazo inglórios, bobos, imaturos, do tipo "perda de tempo" como aquelas que acontecem de maneira muito intensa no ambiente do trabalho.
Habitualmente há um apego feroz a carreira e a ideia de demonstrar valor no ambiente de trabalho. Tornar-se um líder de uma equipe e ser endeusado pelo "time", como aquele super-herói invencível que chega voando com sua capa reluzente, a prova de balas e cinto de mil e uma utilidades para salvar a mocinha em perigo e encantar as crianças...  O olhar de raios-X até que seria legal, queria ter. Enfim, vira modelo de ser, estar, ter... Estereótipo total. Ao fim e ao cabo percebemos que nossos modelos não nos servem e tão pouco aos outros.
Vemos-nos perdidos em nossa arrogância e derrubados de nossos tronos. Como mortais carentes de um “colinho” amigo, daquela pessoal especial, que venha e nos ajude a entender aonde nos perdemos; em que erramos; a qualidade das escolhas feitas; e se possível, que caminhos poderiam ser tomados para nos reencontrarmos. Encontrar aquela pessoa que, talvez, fomos um dia e que nos falta sê-lo novamente. Uma missão difícil, sem dúvida, mas deve-se tentar.
Certamente você tem uma em sua mente agora, mas se não tem, seria bom ter…
Eu conheço gente assim. Elas existem e são gente muito poderosa que param o que estão fazendo para nos abraçar; nos ouvir; nos dão carinho e compreensão; gente que dispõem de seu tempo para nos orientar e aconselhar. Essa gente existe, mas não as vemos com facilidade principalmente porque muitas vezes, o nosso umbigo atrapalha a visão e como sempre estamos fazendo coisas mais importantes do que vê-los.

abraços.jpgInfelizmente, a maioria de nós vê o mundo pelo próprio umbigo e ao contrário dessas pessoas, elas enxergam o mundo pela gente; pelas pessoas que nele existem e não por seus umbigos. Essa gente tem uma imensa disposição para a simplicidade, a tolerância, a consideração e solidariedade. São contagiantes e muitas vezes invejados, quando deveriam ser copiados. Elas inflamam a gente e a todos ao seu redor.

Fazem-nos flutuar com sua energia boa. Apostam na gente e isso é o que nos dá mais medo. Medo dessa segurança e confiança que têm na gente o tempo todo. Quero ser do jeito deles ou ao menos, agir como eles o máximo que conseguir. Conheço gente assim.
São pessoas normais, com defeitos e qualidades. Amam, são amadas (às vezes), vivem suas fantasias e realidades com força e intensidade, e acreditam que para se viver bem é necessário amar a vida, aos outros e a si mesmos desse jeito.

Conheço gente assim e sinto muita falta de mais gente assim por perto. Meu sonho é ser gente assim.
Gente que anima, ajuda, compartilha, carrega no colo, beija na boca, abraça com força, chora junto, corre pra não atrasar, segura pra acalmar, que grita de emoção, que fica quieto pra escutar, ouve em silêncio, experimenta, tenta, pensa, explica, lê, gente que parece com a gente, mas é diferente. Gente que tem fé. Gente que acredita em si mesmo e no outro. Admiro gente assim. Gente que apesar de suas dificuldades ajuda o outro a viver melhor.
Hoje, muito antes de pensar em chegar ao fim e ao cabo, e bem antes disso, quero ser gente assim, gente que cuida de gente.


domingo, 28 de dezembro de 2014

Cicatrizes de uma alma em forma

Entre o desejo de viver bem, conseguir realizar sonhos, conquistar espaço para impor um jeito próprio de ser, enfim, entre o geral e o detalhe de cada momento de nossa vida vivemos realidades e ilusões; desejos, vontades e projetos. Vivemos a mercê de nossos embalos e entendimentos. Talvez, nem tanto entendimento assim, mas certamente deixamos que nossas vontades embalem e que nos causem frustração para eventualmente nos sentirmos vítimas do destino.
Aliás, este destino e seus muitos destinos possíveis nos atormentam por vezes em nossas caminhanças. São horas e mais horas vivendo na expectativa de que o nosso destino seja bom. Uma grande perda de tempo. O melhor mesmo é correr atrás e fazer por onde para que o que se deseja possa ser concretizado. Ficar esperando um golpe do destino que nos coloque em vantagem para conquistar o mundo é no mínimo uma grande fantasia e total ilusão. Está certo, pode ser que um desejo ou sonho, ou mesmo uma ilusão acabe por tornar-se realidade, ótimo, mas o fato mais recorrente ainda é que a vida não é assim.
Ela é resultado de muita soma e multiplicação, divisão e subtração. A vida é fruto da ação. Fruto de como se pensa a vida, se projeta viver e se vive. Em outras palavras, fruto da força interior de cada um (Acredito nisso). Claro que nada disso ou até tudo isso pode ser ou não verdade, afinal, há tantos fatos isolados que parecem coincidir com essas afirmações e até os resultados se mostram alinhados.
Viver é navegar por um emaranhado de frustrações, expectativas, desejos, vontades, conquistas, derrotas, tentativas e experimentações. Se a expectativa de que algo aconteça ou dê certo é baixa ou mesmo alta, a possibilidade é sempre grande de que sua não realização torne-se uma frustração ou um abalo na própria expectativa. Nesses já cinquenta e sete anos de vida vivi dezenas de derrotas, frustrações, desilusões, conquistas e vitórias. Muitas mesmo. Acho que perdi a conta dos resultados negativos ou ruins, mas sinto que acabei forjado por esses resultados, de maneira que meu espírito com foco positivo, otimista e empreendedor não se abateu diante de toda a pressão gerada pelos percalços e ao contrário, fortaleceu-se, armazenou mais energia positiva e criou uma pele resistente aos atritos e abrasões provocados pelos desgastes que a vida proporcionou.
Diferente de uma espada que é submetida à bigorna pelo ferreiro para ganhar dureza, leveza e resistência, minha alma foi forjada pelo peso do martelo para ganhar forma, estrutura, resistência e maleabilidade. O banho frio e o fogo da brasa legaram memória aos elementos de  que sou feito para que, independente do tamanho da pressão que receba, suas retas e curvas sempre voltarão à forma original. Esses elementos dão consistência ao meu ser, tornando-me maleável, flexível e resistente às pressões mais pesadas e persistentes. Acredito que o peso das frustrações e recuperações recorrentes foram mais benéficas para meu crescimento do que as vitórias incontestes.
O desejo do viver bem e realizar sonhos nos levam para o amanhã que chega com o despertar de um novo dia. Nesse embalo, novos desejos e planos a serem realizados porque essa é a minha natureza. Sou assim. Gosto do risco de sonhar e planejar meu dia e minha vida. As eventuais frustrações não me detêm. Busco a sensação de controle sem abrir mão do risco do descontrole, principalmente porque sei que ao final do dia, talvez muitas daquelas coisas desejadas e planejadas (ou todas elas) terão sido em vão ou não terão acontecido. Algumas serão acertadas e outras não. Ao final serão fatos e questões que não afetarão minha alma porque as cicatrizes anteriores tornaram-na mais resistente a tais riscos e acontecimentos. Uma alma em forma e treinada por um personal trainer fortíssimo, a vida.
Ao deitar quero a sensação de ter tentado; ter ido fundo em busca do meu desejo; ter caminhado na direção escolhida; e ter gozado de satisfação por perceber-me vivo e afinado com meus desejos mais íntimos de viver uma boa vida.

O dia seguinte sempre vem, mas gosto de dar uma empurradinha.

João Gambini
26/12/2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Desequilíbrio tênue



Enquanto o surfista olha o movimento das ondas e espera aquela que vai levá-lo em sua crista efervescendo sua adrenalina em um desequilíbrio tênue entre a segurança da experiência vivida e a aventura do novo, único e momentâneo, na praia, a mãe sente medo pelo mar bravio e ruidoso que despertou depois da calmaria dos dias anteriores e não deixa o menino ir além da segunda “ondinha” porque ela sabe que por ali ronda uma correnteza forte e contrária, que pode derrubá-lo e arrastá-lo mar à dentro e para longe dela.

Atento, o guarda-vidas, que havia saído de uma balada irada e dormido muito pouco, nem boceja diante da violência que a tempestade da noite anterior impôs às ondas, e observa com seus olhos esbugalhados de sono a mãe, o menino e o surfista. Em sua mente uma batalha feroz está sendo travada entre o desejo de se aventurar nas ondas que anima o menino e o surfista, e a mãe que estabeleceu o limite de seu medo na areia.

Essa cena, que parece tirada de um filme, acontece todos os dias em minha mente onde ora o surfista encara altas ondas no mar revolto, ora o mar está tão tranquilo que ele busca na cantoria na areia seu espaço para se divertir e brincar; ora a mãe protege o menino da correnteza, ora ela o leva para flutuar lá no “fundão”, apoiado em seus braços, para delírio do garoto não acostumado com o desafio de ficar onde seus pés não alcançam o fundo.

Enquanto o surfista prancha pelo tubo e toca a coluna d’água, seu coração dispara. De um instante para o outro sua existência transcende para além do mar e do céu. Nesse mesmo instante, o menino ergue-se na areia para defender seu castelo cheio de bandeiras e brasões das ondas que chegam; cava canais e muros, agita-se na esperança de que o mar entenda seu pedido e o deixe curtir sua felicidade por mais um tempo.

Enquanto cobre os olhos por causa do Sol, a mãe, de longe, observa o esforço do menino, lhe mostra a sacola com os brinquedos, protetor solar e guloseimas e que está ali se ele precisar. Ao mesmo tempo, do alto de sua cadeira, o guarda-vidas sonha acordado com o tempo em que surfava grandes ondas, brincava na areia e era cuidado pela sua mãe.

As circunstâncias, como as correntezas no mar, nos empurram, puxam, jogam, sacodem, afundam, geram tristeza e alegria, melancolia e euforia, confiança e apreensão. Elas nos lavam a alma e nos deixam mais leves para dançarmos juntos, nós e o mar, ao ritmo da mesma correnteza, numa mistura de aventura e medo, conhecimento e novidade, excesso e falta, grandiosidade e pequenez. 

Vivemos instantes simultâneos e singulares em que os desequilíbrios do agora logo se tornam reequilíbrios mais adiante, num exercício permanente para nos manter sobre a prancha ou para nos sentirmos mais seguros durante o balançar das ondas.

Seguimos nos equilibrando na vida.


João Gambini (maio 2014)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um bom ano!


Mais um ano termina. O quinquagésimo sexto da minha vida. Um ano que começou com uma batida diferente, mais pesada e aos poucos foi ficando mais suingada, romântica e vibrante. O rock marcou o compasso, mas foram o jazz contemporâneo e o blues com uma pitada de bossa nova que fizeram a diferença e trouxeram mais equilíbrio ao caminho. Uma trilha sonora repleta de nuances e acordes inspirados.
Um ano de extremos sem dúvida. De pegadas leves e tranquilas a verdadeiros atoleiros. Foi um caminhar suado.
O pensar leve, um mantra pessoal, balançou diante de tanta turbulência, aguentou firme e no final juntou-se com a suavidade e prevaleceram. Foi difícil, mas é muito bom pensar leve e viver suavemente. O mantra continua.
Penso que todo ano novo é em si uma novidade. Afinal, nunca foi vivido antes. Da mesma maneira, todos os novos momentos em que vivemos são novidades em si também pelo mesmo motivo. Éramos outra pessoa no ano anterior, no momento anterior - mudamos a todo instante - contudo, este foi um ano forte em termos de novidades.
De um lado a família que perdeu alguns membros queridos e estamos todos na expectativa da chegada de um novo membro - sobrinho ou sobrinha - a felicidade é geral. Os moleques, cada um de seu jeito estão crescendo e amadurecendo (que felicidade!). Meu coração que vinha meio capenga, macambuzio, fora do eixo e assim, meio que enroscado em antigas canções encontrou outro caminho pra ser feliz e há muita alegria, luz, amor e prosperidade no horizonte.
Um ano bom e de excelente safra em que toques de café, carvalho envelhecido, uvas de várias procedências e fragrâncias florais pouco adocicadas harmonizaram noites, encontros, carinhos, aprendizados e sonhos. Os tintos encheram a mesa de alegria e as boas companhias, lembranças deliciosas, bons papos, histórias bacanas e perspectivas interessantes lançaram bons presságios para o futuro.
Os brancos vieram brindar a alegria, a paz e a vida.
Um ano de comidinhas boas na mesa, na cama, no chão, no tapete, na rua e nas alturas, na melhor companhia, fizeram-me viver uma vida cheia e rica de vida. Foi um ano em que a cumplicidade, respeito, paixão, descobertas e muita amizade com seus sabores variados e diferentes trouxeram diversidade à minha vida, além de pratos deliciosos.
Todo ano que chega traz a sensação de que todos os problemas serão resolvidos. Há muita esperança e expectativa entre as pessoas. Tal como um farol à entrada da baía, o ano chega iluminando pedras, sinalizando encruzilhadas e obstáculos, apontando oportunidades e onde aportar.
Esse ciclo constante de viradas, que independem a nossa vontade, é carregado de simbologia, promessas, pensamentos positivos, juras, enfim, marcos de recomeço em que as pessoas buscam zerar algumas coisas para iniciar outras e seguir adiante, como na frase de Chico Xavier - “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”, faço do finalzinho o manifesto que proponho para o ano que chega e para sempre na vida - começar agora e continuar firme na construção de um novo fim - melhor em todos os sentidos para si mesmo e para todos com quem nos relacionamos.
Que esse novo ano traga serenidade, consistência, ousadia e firmeza na decisão de diminuir o peso das agendas em nossa vida. Que os compromissos inadiáveis e urgentes, bem como as coleiras e quadrados sejam descartadas para podermos compartilhar mais sentimentos, emoções, vivências, experiências e toda sorte de coisas que quisermos.
Um ano sem aquela loucura de correr de um lado a outro; de datas pra isso ou aquilo; de ter que fazer isso senão aquilo; enfim, um ano de muita leveza, suavidade, diversidade, aprendizados, amizades, boas safras, suingue, desapego, amor, sexo bom, comidas deliciosas, novidades, viagens, descanso e tudo mais para tornar a nossa vida melhor para nós mesmos.
Quero surpreender-me com o que receber.
Um bom ano sempre!

João Gambini
31/dezembro/201

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Cuidado com os microfones!!!



Falar o que se pensa requer cuidado, mas também é necessário e fundamental para nossa vida, afinal o que seríamos se não pudéssemos expor nossas ideias, opiniões e vontades. Como eu há muitas pessoas que gostariam de ter um bom ouvinte ou um daqueles sacos de boxe para dar muitos socos e chutes para aliviar a tensão e no mais das vezes, o estresse do convívio.

Segundo algumas pessoas o falar abertamente sobre qualquer assunto pega mal, cria rótulo, põe carimbo na testa, ficamos “mal na fita” ou muito mal falados... Mesmo assim há muitos que dizem terem se libertado dessas alcunhas apenas por conseguirem expor suas ideias. Acho isso fantástico porque ao longo da vida tive a experiência - boa e ruim - de acumular muitos rótulos e carimbos que vem acompanhando há um bom tempo e me ensinando muito sobre convivência e superação.


Seja para sentir-se autoconfiante, seja por desencargo de consciência, decidir por expor suas ideias e opiniões pessoais requer coragem. Ainda assim, e cheio de receios, resolvi expor e acabei exposto. É engraçado pensar nesses receios e ao mesmo tempo falar deles. Começo a escrever essas confissões, mesmo que fragmentadas e jogadas na mesa como peças de quebra-cabeças para ver se tomam alguma forma, um registro ou esboço do meu jeito de ser e de minha passagem neste tempo. 

Bocca Della Verità - Roma/2012
Entretanto, e no geral, sei que em matéria de confissões costumamos supervalorizar nossas qualidades e minimizar nossos defeitos. Sempre na ideia de que fazendo isso nos tornamos melhores. Talvez! Acredito até que essas confissões, se tratadas como verdades verdadeiras, podem ser uma ótima forma de não nos enganarmos e de mostrarmos um pouco mais do que somos de fato e não apenas um punhado de preconceitos, achismos e regulações que nossas coleiras ou reservas nos impõem.


Às vezes, há tantas incógnitas sobre o que sinto que minhas ideias se embolam e se repartem ao mesmo tempo, numa dança instável, irrequieta e confusa. Aquelas mais estáveis, inteligíveis e aparentemente organizadas logo ganham corpo e descrição. E aquelas picadas e aos pedaços, tento costurá-las, dar-lhes ritmo e destino, para pensar nelas ou deixar pra lá. Let it be!!!


Entre a existência de alguma estabilidade e de muita bagunça, um caldeirão de ideias e pensamentos vai cozinhando os ingredientes formando um caldo ou um esboço daquilo que sou ou mesmo do meu dia a dia. Uma bela oportunidade nasce desse caldo com tudo de mim para ser jogado na parede e ver se da colisão de quereres, desejos e possibilidades surgem novas ideias, possibilidades e caminhos ou um eu diferente, recauchutado, reciclado, reutilizável...


Quiçá um euzinho seminovo, com pneus novos e licenciado. Falar abertamente o que se pensa é muito bom!


Mas cuidado com os microfones!!!
João Gambini
da série: Fragmentos de pedaços desconexos
Maio/2013

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nenhum amor é meu.

Há pouco li mais um bom texto de Daniel Bovolento - Do amor que não é meu, http://bit.ly/12rWz6X, e é interessante quando a leitura nos remete ao passado de nossos atos, pensamentos e aprendizados. Louco mesmo porque muitas das nossas experiências ou a falta delas, nos leva a ações nem sempre exitosas para conosco, principalmente. Lembro o quanto fiquei puto por ver meu amor esvaindo não tanto pelas palavras de separação, mas pelos motivos ditos e não ditos. A lembrança pareceu-me como a trajetória do projétil que me atingiu em cheio, tanto pelas coisas que eu talvez não tenha feito quanto por aquelas que fiz. Mira boa essa... A culpa ainda parecia ser minha.

Onde errei? Essa questão me afrontou por muito tempo - tempo demais por sinal - e na busca de respostas encontrei-me despreparado para o amor, para a convivência, para o entendimento. Num primeiro momento as respostas acentuavam a minha culpa e agravavam meu desconforto pessoal, principalmente porque eu acreditava que as pessoas tinham que ser felizes. Que eu era feliz. Mas a sensação de perda, o espaço vazio, a substituição, ser preterido, assim como outros tantos sentimentos desse tipo, foram muito dolorosos, tanto que pareceu-me durante muito tempo que eu havia criado fantasmas, sombras, culpados, inimigos... A vida virara-me do avesso. Meu amor não era mais meu!

Aconteceu entre a percepção e o fato em si que não entendi. Naquele momento sentia-me como um cão que caído de um caminhão em plena rua vinte e cinco de março – é pisoteado, largado e esquecido. Esqueci-me dos sonhos, das metas pessoais, das construções à dois... Tudo relegado e abandonado na estrada. Sem rumo, a dor era mais importante. O tempo passou, mas não tão rápido como eu gostaria, mas com tempo suficiente para que eu pudesse olhar aquele momento e perceber o quanto tinha sido imaturo não só em termos de amor, mas em relação à minha própria capacidade de sobrevivência diante das coisas irreversíveis que nos acontecem.

- Tinha que mudar.
- Agarrar-me em mim, enfim... Era preciso mudar.
- Bem, mudei!

Novos amores, paixões, expectativas, sucessos e frustrações vieram e com eles sensações que triscavam a ferida cicatrizada rasgando-a para logo ser cauterizada novamente, tornando-se cada vez mais resistente. Assim, parece que nós nos regeneramos quando vivenciamos nossos acertos e erros da vida. Ficamos melhores do que éramos. O que parece uma perda irreparável num dado momento ou uma experiência frustrante torna-se uma alavanca que quando acionada dá potência ao crescimento pessoal, ao amadurecimento dos sentimentos, à ampliação dos sentidos, ao desejo de experimentar, à ousadia do arriscar e mesmo para se defender.

É desse aprendizado que alimentamos a melhoria da nossa autoconfiança e o fortalecimento da nossa autoestima. É da desconstrução daquilo que considerava meu amor que surge outro amor construído no entendimento, na aceitação clara e com um ritmo próprio. Um amor em que se dar não tem relação com receber ou com qualquer recompensa. Ao invés do egoísmo e do sentimento de posse o amor a si próprio. A disposição para amar por si e não pelo outro. Ultrapassar os limites do amor com todos os seus anseios e riscos. Amar sem a posse. O amor sem o apego e sem o querer pra si, mas porque é bom, gostoso, leve e me surpreende.

Não há mais amor para perder porque nenhum amor é mais meu ou jamais o será.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O sopro e a claridade

No início tudo era escuro. Poucos se aventuravam por aqueles caminhos à noite e quando o faziam traziam consigo armas, defesas e toda sorte de bugigangas que os ajudassem a sentirem segurança. Era tão escuro aquele caminho que toda luz era aprisionada assim que brilhasse. Velas, lanternas, fogueiras e tudo o que brilhasse sucumbia àquela escuridão sem fim. Até os vagalumes sofriam ali. Vez por outra que eu tentava segui-los percebia seu esforço frente àquela barreira intransponível feita de um emaranhado de raízes, troncos, galhos caídos, lembranças, dores, tristezas, frustrações, insucessos... Era quase um poço sem fundo, talvez mais para um buraco negro, contudo este está no espaço que também é muito escuro, mas que brilha assustadoramente com tantas estrelas, astros, quasares, constelações e galáxias. Uma verdadeira escuridão iluminada.
Não aquele caminho estava mesmo mais para um poço sem fundo do que para um buraco negro. E na medida em que nos aventurávamos a seguir por ali sentíamos como que algo pegajoso, que nos retia, nos segurava, numa tentativa de impedir o caminhar. Para cada passo um movimento de energias gigantesco era despendido quase que exaurindo as forças necessárias para o próprio caminhar e sobreviver. Aos poucos e bem lentamente conseguíamos nos deslocar e vencíamos, passo a passo, pedacinho a pedacinho, aquelas distâncias na busca de luz, claridade, transparência, cores, iluminação, sabedoria... O mundo depois da escuridão era uma Meca que todos conheciam e buscavam, mas somente poucos haviam conseguido.
A fé era nossa energia. Ela nos alimentava e ao acreditarmos nisso retroalimentávamos formando um ciclo contínuo de motivação, inspiração, desejo, atitude e vontade de mudança e de um momento melhor. A batalha entre a fé e a escuridão era permanente, constante e vigorosa. Quantas vezes beirei a desistência. Quase parei tudo e voltei, abdicando de minha luta, das conquistas, do reconhecimento do meu valor em prol de um pouco de sossego, acomodação... Quase! Mas não desisti. Eu não conseguiria! Sou inquieto demais pra isso e tenho muita fé em mim e nos valores em que acredito. Mas isso acontece com todo caminhante, peregrino e guerreiro, há momentos que só um tapinha nas costas não resolve. Precisamos de energia graúda, robusta, parruda, pra encher nossas mochilas e cantis pra que a caminhada ganhe nova vida, sabor, nos inspire e nos empurre na direção que escolhemos.
Essa escuridão consumia minhas energias. Vivia mais tempo no escuro que no claro, mais noite que dia, meus sentidos já funcionavam melhores entre as trevas e a escuridão do que na claridade. Aliás, na claridade eu me perdia nos detalhes, nas diferenças, nas cores e o mais interessante, na claridade havia ar, muito ar. O vento na forma rajadas rápidas ou mesmo nas suaves brisas banhava meu rosto como que acaricia a pele com um leve toque e que fazendo isso aguça os sentidos e as emoções. Mas esses tempos de claridade e muito ar eram poucos, a maior parte do tempo eu caminhava pela escuridão e sentido a respiração difícil, pesada, como se tivesse corrido muitos quilômetros, mas só caminhado poucos metros. Aquela escuridão me oprimia e me tirava o fôlego. Com o passar do tempo e alguns chacoalhões da vida, meio que tombando de lado. Era essa a impressão. Parecia que eu tinha capotado, enfim, com o caminhar comecei a perceber que aquela tão temida escuridão parecia sofre de algum mal, porque eu respirava melhor que antes e sentia um leve calor na face. Isso era muito diferente porque antes eu sentia muito frio, vivia agasalhado, não havia luz suficiente para me aquecer. Mas começava a perceber que não precisava mais de tanto agasalho. Havia algo de diferente acontecendo e que me aquecia.
Aos poucos, olhando lá no horizonte, notei uma luz estranha, coisa que não via há séculos e eu sentia que dali vinha o calor que eu senti. Aquilo mexeu comigo um tanto e tão profundamente que rapidamente me pus a seguir aqueles lampejos e ver o que estava acontecendo. Havia algo de novo e eu precisava ver com todos os meus sentidos. Mas a caminhada não era fácil, ao contrário, a cada passo dado em direção à luz eu tinha a sensação que sequer tinha saído do lugar.
Os obstáculos são assim mesmo. Eles costumam mudar de lugar para que pensemos que não os superamos. Precisamos ser mais espertos que eles e usar de nossa sabedoria e principalmente dos anos de tentativa de vencer a escuridão para sobrepujá-los. Alguns obstáculos são de fato muito pesados e ocupam muito espaço e é muito difícil lidar com eles, mas não são insuperáveis. No entanto, requerem um pouco mais de malícia, dissimulação, um pouco de fantasia e muitas vezes com uma história bem contada, aqueles obstáculos se encantam e acabam simplesmente deixando de existir ou deixando de nos impedir. Mas há também aqueles obstáculos sutis, que muitas vezes não damos bola e acabamos atolados até os dentes. Para esses, toda astúcia deve ser empregada porque além de facilmente passarem desapercebidos, eles são muito rápidos na troca de papéis para nos enganarem novamente. Quão rápido forem mais rápidos temos de ser. E há aqueles obstáculos que nos ajudam, isto é, eles nos servem como escudo, álibi, desculpa e mesmo como nossos cúmplices para que superemos não só a eles como os outros obstáculos.
Tenho muita admiração por esses últimos e sempre os considero meus aliados. Tanto que foi num deles que me apoiei para tentar chegar mais perto daquelas luzes que me encantavam e me intrigavam. Ao escorar meu pé sobre aquilo que parecia uma rocha senti firmeza suficiente para colocar meu peso e tentar identificar a distância que me separava das luzes ou daquilo que pareciam luzes. Surpreende-me o fato de havia um buraco imenso aberto no meio da escuridão de onde por onde ramificação raios de luz. Uma clareira havia sido aberta no caminho e a luz estava entrando e ficando. A cada passo dado naquela direção mais quente era a temperatura, havia uma brisa que deixava minha respiração mais solta, leve e muito limpa. Não sentia cheiros ruins, mas um perfume vinha em minha direção. Afobei-me!
Eu sabia que o lugar era logo ali. Eu vi lá de longe. Mas eu queria muito tudo aquilo e só me importava chegar. Uma ansiedade abateu-me e tive de controlá-la porque comecei a tropeçar, me machucar, trombar com galhos e raízes. Parei! Precisava ficar ali um pouco quieto e respirar suavemente aquela brisa que me acariciava os sentidos para me acalmar e quem sabe me concentrar na busca do meu objetivo. Algum tempo depois, subi no galho mais robusto que achei e fiquei mais calmo porque estava na direção certa. Pouco a pouco, a viagem me trazia novos sentimentos, emoções e sonhos que há muito nem sonhava mais ter ou sonhava, mas não acreditava que poderia vir a ter... Pensava em como seria viver com total claridade, se seria fácil me acostumar ou se ela me faria bem... Pensamentos ecoando e minhas pernas me conduzindo pelo caminho. Delírios eventuais entre cortados por surtos ora de realidade, ora de medo... Acho que muita luz dá nisso mesmo. Depois de muito tempo na escuridão qualquer intensidade de luz nos cega, nos limita e nos impede de ver o nosso entorno quase tanto ou do mesmo jeito como na escuridão. Louco isso, mas acontece.
Entre delírios, sonhos e acasos, aliás, muito mais de acasos, cheguei à clareira parecendo um viajante que cruzara o deserto e encontra um lago para saciar sua sede. Entrei de cabeça, saltei, ou melhor, mergulhei naquela claridade. Apaixonei-me por ela. Era tudo que sonhara e queria. Até a intensidade era suficiente, não me cegava. Sentia-me iluminado. Em meio à escuridão que envolvia o caminho encontrei uma clareira que iluminava tudo ao seu redor e modificava os tons escurecidos revelando cores que até então estavam adormecidas, escondidas ou sufocadas pela falta de luz. Entes de todas as partes vieram saudar e brindar aquele acontecimento. E, por mais que eu buscasse entender como aquilo tinha acontecido, menos parecia importante me preocupar com isso, pois a felicidade que eu sentia me satisfazia. Ao olhar pra trás vi que o caminho tinha muitas cores e agora, eu sabia que apesar da escuridão, elas estavam ali presentes. Pouco a pouco minhas experiências eram iluminadas como as ruas no finalzinho da tarde ante ao crepúsculo, mostrando seus sentidos e provocando novas sensações e desejos. Tudo me inspirava. Tudo me inspira.
A clareira trouxe os ventos e abriu espaço para que soprassem em todas as direções inspirando vontades, ideias, desejos, histórias, canções, olhares, cheiros, ideais, palavras, sonhos e tudo do que somos feitos. A mesma clareira iluminou a minha vida e abriu espaço para o amor. Um ponto de encontro entre o sopro que dá vida e a claridade que salva da escuridão.
João Gambini
16/06/2013
São José dos Campos